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A vida é bonita.

A vida é bonita. É bonita, mesmo quando não a conseguimos ver assim.

A vida é bonita.

A vida é bonita. É bonita, mesmo quando não a conseguimos ver assim.

Uma pérola para o meu colar - parte I

Parte IO Baton

 

Um final de dia, e eu estou somente comigo, na intimidade profunda do meu ser, no sentir, no pensar, como se vivesse apenas dentro da minha cabeça. Só eu existo. A minha sensibilidade está à solta, os meus sentimentos completamente livres a passear em meu redor, fragilidades, tristezas, solidão. A minha resiliência também por lá andava. Ela não me abandona, por vezes adormece, mas está sempre presente. E foi ela que me moveu.

 

Não tinha praticamente nada para comer em casa, porque não me apetece tratar dos afazeres quotidianos de um simples mortal, "coisas menores"  perante o aliciante que é estar no meu canto com os meus pensamentos. Mas um simples mortal tem de comer, e o adiar de tarefas continuamente dá mau resultado.

 

Pego no saco das compras, e aí vou eu para uma zona comercial, mas não são as compras essenciais que me motivam. Não, não são.

 

Isto, assim não pode ser, não posso continuar nesta lenga lenga saborosa, mas perigosa.

 

O prioritário, não é a comida, as compras podem ser adiadas para amanhã (por acaso não podem, mas enfim), o mais importante é passar numa loja e comprar um baton encarnado. Sim, um baton encarnado, não é vermelho como se usa agora dizer, é mesmo cor de carne viva. Daquelas cores que poucas vezes uso, muito poucas mesmo.

 

Sou uma mulher que gosta de ser discreta, mas dizem que tenho uma simplicidade sensual, qualquer coisa inexplicável que atrai, algo exótico que não conseguem descrever. Será?! Eles lá sabem. Mais uma vez estou a dispersar-me, talvez a fazer uma festinha ao meu ego. Vergonhoso, eu sei. Mas não faz mal.

 

Sendo uma mulher discreta um baton cor de carne viva, um pouco vampiresca a descrição, não será a minha escolha mais frequente. No entanto, no meio de toda a minha discrição de vez em quando gosto de ter um pormenor que se destaque, e agora apetece-me dar esse privilégio a um baton. E porquê? Porque para eu conseguir colocar esta cor nos meus lábios vou ter de remendar rapidamente algumas fragilidades no meu interior. Será um desafio. E eu gosto de me desafiar.

( ...)

 

Logo que possível termino o texto. De qualquer forma, deixo-vos já as frases finais, pois foram as primeiras que escrevi, mas entretanto considerei que fazem mais sentido no final do texto:

Não vale deixar de acreditar no ser humano.

Boas pessoas, são difíceis de encontrar. São pérolas que surgem quando menos esperamos.

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